IN 1888: o que era, e o que a DeCripto mudou
Se você chegou aqui procurando a IN 1888, comece por esta informação: a Receita Federal publicou a Instrução Normativa RFB nº 2.291/2025, que substitui o modelo criado pela IN RFB nº 1.888/2019 pela DeCripto, alinhada ao padrão internacional CARF da OCDE. A obrigação de informar operações com criptoativos continua existindo; o que mudou foi o instrumento. Esta página explica o que a IN 1888 estabeleceu, o que a DeCripto altera e o que isso significa na prática para os seus registros, e mostra como CryptaTax reconstrói o histórico que qualquer um dos dois modelos exige.
Informações gerais em junho de 2026; não são consultoria tributária. Valores, limites e prazos são definidos pela Receita Federal e mudam. Confirme as regras vigentes no site da Receita Federal ou com um contador antes de prestar qualquer informação.

Primeiro, o essencial: a IN 1888 foi substituída
A IN RFB nº 1.888/2019 instituiu e disciplinou a obrigatoriedade de prestar informações sobre operações realizadas com criptoativos à Receita Federal. Em novembro de 2025 a Receita publicou a IN RFB nº 2.291/2025, que atualiza essa regulamentação e a substitui pela declaração conhecida como DeCripto, transmitida pelo Centro Virtual de Atendimento da Receita Federal.
O calendário de transição e a versão em vigor a cada momento são definidos pela própria Receita Federal e já foram ajustados, por isso não os reproduzimos aqui. Confirme no site da Receita Federal qual modelo se aplica ao período que você precisa informar. O que não muda é a necessidade de ter o histórico completo das suas operações.
O que a IN 1888 estabeleceu
A IN 1888 definiu quem precisava prestar informações e sobre o quê. Em linhas gerais, alcançava as exchanges de criptoativos domiciliadas no Brasil e também as pessoas físicas e jurídicas residentes ou domiciliadas no país quando as operações fossem realizadas em exchange domiciliada no exterior, ou quando não fossem realizadas em exchange alguma. Havia um valor mensal a partir do qual a obrigação nascia para pessoas físicas e jurídicas.
O alcance nunca se limitou a compra e venda. A obrigação abrangia operações com criptoativos de forma ampla, incluindo permuta, doação e transferência, entre outras. Essa amplitude é o motivo pelo qual tanta gente descobriu tarde que estava obrigada: a leitura intuitiva de que só a venda conta está errada.
O que a DeCripto muda
A mudança central é de padrão. A DeCripto foi construída para alinhar o Brasil ao Crypto-Asset Reporting Framework da OCDE, o arcabouço internacional de troca automática de informações sobre criptoativos. Na prática, isso significa um leiaute próprio, um canal de transmissão próprio e uma estrutura de dados pensada para conversar com os sistemas de outros países.
Para quem já cumpria a IN 1888, a lógica de fundo é reconhecível: continua sendo uma obrigação de informar, não de pagar. O imposto sobre ganho de capital em cripto é outra coisa, apurada e recolhida separadamente. Confundir as duas obrigações é o erro mais caro nessa área.
Informar não é o mesmo que tributar
Vale insistir nesse ponto porque ele confunde muita gente. São duas obrigações independentes:
- Informar operações à Receita Federal, no modelo vigente. É uma prestação de informações; nada é recolhido nesse ato.
- Apurar e recolher o imposto sobre o ganho de capital nas alienações, quando devido, pelas regras próprias desse tributo.
- Declarar os saldos na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, na ficha de bens e direitos.
Cumprir uma delas não dispensa as outras. E todas as três se alimentam do mesmo insumo: o seu histórico de operações, completo e com valores em reais.
Quais dados você precisa ter
Independentemente do modelo em vigor, o material de base é o mesmo:
- o histórico completo de todas as exchanges que você usou, nacionais e estrangeiras;
- os endereços de todas as suas carteiras, inclusive as que você não usa mais;
- data, tipo e valor de cada operação, convertidos em reais;
- as taxas pagas, que entram na apuração;
- a identificação de operações que não passaram por exchange, como transferências diretas entre pessoas, doações e pagamentos.
O último item é o que mais escapa. Operações fora de exchange são justamente as que a regulamentação sempre mirou com mais atenção, e são as que ninguém tem anotadas.
Por que isso é difícil de fazer à mão
Um ano de atividade em algumas exchanges e redes gera centenas ou milhares de registros. Cada exchange exporta em um formato diferente, carteiras não exportam nada legível, e as transferências entre as suas próprias carteiras aparecem duas vezes, uma como saída e outra como entrada. Dá para fazer em planilha, mas custa dias e cada correção manual abre espaço para um erro novo.
Some a isso a conversão em reais de cada operação, com câmbio consistente ao longo do ano e rastreável depois, e fica claro por que a parte trabalhosa não é preencher o formulário: é chegar até ele com números confiáveis.
Erros comuns
- Tratar transferência entre carteiras próprias como venda, criando ganho que não existiu.
- Considerar que só a venda precisa ser informada, ignorando permutas, doações e transferências.
- Esquecer carteiras antigas que tiveram saldo durante o período.
- Misturar a obrigação de informar com a apuração do imposto, e concluir que cumprir uma resolve a outra.
- Não guardar a memória de cálculo: a informação é prestada uma vez, mas a pergunta pode vir muito depois.
Como o CryptaTax ajuda
O CryptaTax parte dos dados de origem. Conecta exchanges e carteiras, reconstrói o histórico inteiro e mantém cada número ligado à operação que o gerou. Para o que interessa aqui:
- transferências entre as suas próprias carteiras são conciliadas automaticamente e não viram alienação;
- cada operação fica convertida em reais com câmbio aplicado de forma consistente e com a fonte registrada;
- o custo de aquisição é carregado corretamente de um período para o outro;
- o detalhamento pode ser exportado em formato que o seu contador usa sem refazer.
O que o CryptaTax não faz é decidir por você qual modelo se aplica ao seu caso nem em que prazo. Isso é matéria de regulamentação e muda; confirme na Receita Federal ou com um contador. A parte mecânica, que é ter os dados prontos e defensáveis, essa sim fica resolvida.
Se você tem anos sem organizar
Tem conserto. O histórico na blockchain e nos registros das exchanges é permanente, então períodos anteriores podem ser reconstruídos mesmo que você não tenha anotado nada na época. Refazer cada ano a partir da fonte, em vez de estimar, é o que permite deixar todos os períodos na mesma base coerente.
Que documentação vale a pena guardar
A informação é prestada uma vez, mas a pergunta sobre ela pode chegar anos depois, quando você já não lembra por que colocou determinado valor. A diferença entre responder numa tarde e reconstruir um período inteiro sob pressão está no que você guardou na época.
- o extrato completo de operações de cada exchange, exatamente como foi entregue;
- o critério de conversão em reais e a fonte das cotações utilizadas;
- a associação entre cada endereço de carteira e o seu titular, quando não for evidente;
- o detalhamento das transferências entre carteiras próprias, com as duas pontas identificadas;
- o registro das operações feitas fora de exchange, que ninguém mais vai reconstruir por você;
- o comprovante da informação prestada.
Guardar os dados de origem, e não apenas o resumo, transforma uma eventual verificação em trâmite. Um resumo sem lastro obriga a refazer todo o trabalho do zero.
Se você usou DeFi, NFT ou staking
É onde a maioria das ferramentas e das planilhas fica para trás. Uma troca em protocolo descentralizado, a entrada e a saída de um pool de liquidez, o recebimento de recompensas ou a compra e venda de um NFT geram movimentos que não se parecem com uma compra em exchange e que raramente chegam rotulados de forma útil.
O problema não é que sejam impossíveis de tratar, e sim que exigem distinguir o que é aquisição, o que é rendimento e o que é apenas movimentação entre posições suas. Uma classificação errada se propaga: um custo de aquisição incorreto hoje distorce todas as alienações futuras daquele ativo, inclusive em períodos seguintes.
Por isso a classificação deve sair dos dados da rede, não da memória e não depois do fato. O CryptaTax interpreta esses movimentos e deixa visível o que não conseguiu classificar com segurança, em vez de decidir em silêncio.
Como a sua situação muda a resposta
Duas pessoas com o mesmo saldo podem ter obrigações diferentes. O que costuma mudar a resposta é isto:
- Onde a operação aconteceu: exchange brasileira, exchange do exterior ou fora de exchange são situações tratadas de forma distinta.
- O tipo de operação: compra e venda, permuta, doação e transferência não se equivalem.
- O volume no período: existem valores a partir dos quais a obrigação nasce para pessoas físicas e jurídicas, e eles são definidos pela Receita Federal.
- Se você é pessoa física ou jurídica: as regras e a periodicidade não são as mesmas.
O que fazer quando faltam dados
Lacunas no histórico acontecem com quase todo mundo que opera há mais de um ano, principalmente quando uma exchange encerrou as atividades sem que você tivesse baixado o extrato. O importante é não ignorar a lacuna nem preenchê-la por adivinhação. Um caminho organizado começa por identificar exatamente qual período e qual plataforma estão faltando, verificar se o movimento aparece do outro lado, em outra exchange, em uma carteira ou no extrato bancário, e reconstruir na blockchain o que for reconstruível, já que ali o registro é permanente.
Onde ainda assim for preciso assumir alguma premissa, documente qual foi e por quê, e guarde essa anotação junto com o restante. Uma premissa documentada pode ser defendida e corrigida depois; um chute não pode nem ser reconstruído.
Quando vale a pena falar com um contador
Nem sempre é necessário, mas há sinais claros. Se você opera por meio de pessoa jurídica, se recebeu cripto como pagamento, se usou protocolos complexos, ou se tem períodos anteriores sem informação prestada, o custo de uma consulta é pequeno diante do custo de uma correção depois.
O que você pode levar pronto para essa conversa é a parte trabalhosa: o histórico completo, organizado e com cada número rastreável até a operação de origem. Um contador que recebe dados limpos resolve em uma reunião o que com arquivos soltos levaria semanas.
Antes de prestar qualquer informação
- Reúna o histórico completo de todas as exchanges usadas no período.
- Acrescente os endereços de todas as carteiras, inclusive as antigas.
- Confirme que transferências entre carteiras próprias aparecem como um único movimento.
- Levante as operações que não passaram por exchange.
- Revise operações sem preço, que costumam ser a origem de números estranhos.
- Verifique no site da Receita Federal qual modelo e quais prazos valem para o período.
FAQ
A Receita Federal publicou a IN RFB nº 2.291/2025, que substitui o modelo da IN RFB nº 1.888/2019 pela DeCripto, alinhada ao padrão CARF da OCDE. O calendário de transição é definido pela Receita e já foi ajustado, então confirme no site da Receita Federal qual modelo se aplica ao período que você precisa informar.
É a declaração que passa a receber as informações sobre operações com criptoativos, transmitida pelo Centro Virtual de Atendimento da Receita Federal. Ela substitui o modelo anterior e foi desenhada para alinhar o Brasil ao arcabouço internacional de troca automática de informações sobre criptoativos.
Não. É uma obrigação de informar. A apuração e o recolhimento do imposto sobre ganho de capital nas alienações seguem regras próprias e acontecem separadamente, assim como a declaração de saldos na Declaração de Ajuste Anual.
A regulamentação sempre alcançou operações realizadas fora de exchange e em exchanges do exterior, justamente porque a Receita não as recebe de outra fonte. São também as operações que menos gente tem registradas, o que torna a reconstrução do histórico ainda mais importante.
Mover ativos entre carteiras suas não é uma alienação. O risco é a ferramenta registrar o movimento duas vezes, como saída e entrada, criando um ganho inexistente. O CryptaTax concilia automaticamente os dois lados da transferência.
Cada operação precisa ser convertida com câmbio aplicado de forma consistente ao longo do período e com a fonte registrada, para que você consiga demonstrar depois de onde saiu cada número. O CryptaTax faz essa conversão e guarda a origem de cada valor.